Minhas férias

Primeiro dia de aula. Fotolito chega na sala na expectativa de reencontrar seus colegas e correr pela escola.Entra um pouco atrasado para a primeira atividade. A professora já está falando.

– Este ano tive uma idéia brilhante. Cada um de vocês vai escrever uma redação contando suas férias. Como ninguém pensou nisso antes?

As crianças olhavam umas para as outras, desconsoladas. Fotolito já pensava além. Ele sabia que não se contentaria em contar seu passeio à praia ou ao parque aquático, precisaria inovar. Pegou seu Minidicionário de Língua Portuguesa e começou a escolher palavras aleatoriamente. Seria ele, o dicionário, um guia, como um sacerdote que, com suas palavras orienta multidões.

Nessas férias eu fugi de casa. Eu fugi pra não aturar meus pais caducos e manipuladores. Eu peguei o dinheiro pra comprar pão, entrei num ônibus e sumi pro campo. Um camponês gostou de mim. Ele me ofereceu uma bala e um trabalho escravo. Eu não aceitei a bala. A lida na roça não era uma das situações mais incômodas, mas o que me chateava mesmo era estar naquele lugar recôndito, longe de todos os meus amiguinhos. Quando minhas forças já estavam se extinguindo eu fugi de volta pra casa. Meu pai me deu uma surra. Fim.

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