16/jun/2008
Saí correndo pra pegar o ônibus assim que o dia amanheceu. Dia frio de outono. O ônibus estava cheio, mas o cobrador me chamou a atenção por ter o rosto de um amigo que há tempos não via. Ele conversava com uma das passageiras, que de uma hora pra outra me fez lembrar uma colega de faculdade. Tudo sumiu da minha visão. Parecia não haver mais nada em lugar nenhum. Não senti o tempo passar e, logo, pulei na piscina. Nadei, nadei, nadei… Até que surgiu um sujeito estranho, com a cara do Freud. Ele me dizia que essa minha compulsão por nadar era por eu não ter mergulhado fundo no mar alto da paixão. Não entendi muito bem, mas continuei pisando fundo. Nessa hora, o carro já devia estar a uns 130 quilômetros por hora e eu não conseguia te encontrar. “Cadê você?”, eu gritava, lamentando. Que solidão! Era angustiante. Eu continuava correndo. Pé no fundo do acelerador. O engenheiro da equipe dizia pelo rádio que só faltavam mais três voltas e que eu estava em primeiro lugar. Mas parecia que o carro não se movia mais. Ninguém sabe o que eu sofri. O carro rodou. Comecei a subir uma escada de madeira que estava a quase noventa graus do chão. Não tinha coragem de olhar para baixo. Mas meu entorno parecia um deserto. Lembrei de você e imaginei que na verdade amar é um deserto. Cansei de subir e me pus a chorar. Sentado em um canto, entre as pedras, confundia o som de minhas lágrimas caindo com o estourar das ondas, bem longe de ti. Tudo parou. Finalmente acordei. De hoje em diante, por favor, me lembre de não dormir com o som ligado no modo repetição. Não resitiria a mais uma sessão de Djavan no meu inconsciente.