Sexta-Feira, 18 - Julho, 2008

EU JÁ SABIA

Se estivesse na arquibancada vendo os jogos do Brasil no pré-olímpico de basquete masculino, certamente levaria uma placa com a célebre afirmação. Afinal, há meses já estava configurada esta derrota brasileira. Esperamos que sirva para a confederação dar um rumo decente ao esporte no país.

FINALMENTE
Depois de quase 3 anos de espera, recebi um telefonema da Fundação Franklin Cascaes dizendo que o lançamento do livro com os contos do Prêmio de Literatura Franklin Cascaes 2005 será no próximo dia 29 de julho, no Teatro da Ubro (Florianópolis), com início às 19 horas. Ainda não recebi nenhuma comunicação por escrito e o evento não está na agenda do Teatro da Ubro para este mês, portanto, só acredito vendo. De qualquer forma, estarei lá para - caso exista mesmo um lançamento - poder participar.

Segunda-feira, 14 - Julho, 2008

As aventuras de uma formiga-homem*

Thiago Floriano
06/jul/2008

Ele nasceu num formigueiro comum e foi batizado Homero Antunes. Era uma formiga que passava despercebida por onde quer que caminhasse. Não era o mais forte entre seus irmãos, nem o mais rápido, nem mesmo o mais esperto. Mas foi num domingo à tarde que a sua sorte mudou.

Uma família de humanos chegou para fazer um piquenique no parque onde o formigueiro de Homero estava abrigado. Um filhote de humano, também conhecido como criança, colocou os pés sobre uma parte do formigueiro. Para situações como estas, formigas como Antunes eram bravamente treinadas. A orientação era atacar. Atacar! Atacar! Atacar!

Naquele momento, Homero estava sozinho e não hesitou em cumprir sua obrigação. Atacou prontamente o pé da criaturinha, que saiu aos prantos em direção à sua mãe. No outro dia, pela manhã, Homero se sentia estranho. Percebeu uma leve mudança em seu corpo.

Na verdade, ele adquiriu poderes humanos e tinha tudo para ser o super-herói dos formigueiros. O Formiga-Homem! Achou um nome interessante. Levantou-se em posição ereta, equilibrando-se em apenas duas patas. As patas livres tinham desenvolvido a característica fundamental dos humanos: o polegar opositor. Sim! Homero agora tinha mãos e a capacidade de manusear objetos com precisão, só não entendia qual a vantagem disso.

Em sua pequena cabeça não havia espaço para um encéfalo altamente desenvolvido, sendo então uma característica que não herdou em sua mutação. Aos poucos, Homero começava a ser descriminado por suas grandes habilidades. Ninguém naquele formigueiro precisava de um bípede que manuseasse objetos. Precisavam de alguém que seguisse os outros, dia após dia, carregando alimentos para o formigueiro.

Ele não entendia porque não aproveitavam suas novas habilidades para algo mais útil ou inovador, mas a sociedade já estava profundamente adaptada às habilidades de uma formiga comum. Homero se sentia triste, passara de uma formiga comum a uma super-formiga, mas não podia exercer seu poder sobre as outras. Ele definitivamente estava ficando mais humano do que imaginara.

* publicado originalmente no Duelo de Escritores.